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29/09/06 Precisa existir vida além da tela?

Muitas vezes eu já ouvi pessoas falando que as vezes precisam “se desplugar do mundo digital”. Mas afinal, para quê mesmo?

#1 - Interagir com pessoas

Eu concordo que ficar na frente do computador possa parecer uma atitude de isolamento. E pode ser efetivamente, ou não. Com a chegada dos MMORPGS a reclamação das mães de gamers que eles ficavam mais com o jogo do que com os amiguinhos foi desarmada. Conversa, interação, fofoca e até briguinhas são tão comuns no universo desses games quanto matar monstros. Na verdade, em muitos desses jogos, ou você tem amigos ou você não realiza certas ‘missões e diversões’ do jogo.
Além disso, tem 2 coisas mega populares que não me atraem muito, mas funcionam: Orkut e Instan Messengers. Quando, numa reunião de amigos, você consegue conversar privadamente com 4 amigos distintos e ainda ver fotos da nova namorada de um deles e descobrir que o filme predileto dela é Titanic?
Então, você só se isola se quiser, e hoje em dia, muito pouca gente faz isso.

#2 - Se interar do mundo real

O que diabos é omundo real mesmo? É uma coisa que chega por RSS á cada 15 minutos. Com a internet usada de forma adequada, voc~e vota melhor, cozinha melhor, se ler spans até se diverte mais na intimidade de 4 paredes (nada de vastos oceanos, isso dá dor de cabeça).
No mais, o que acontece de tão importante lá fora que não está no google news?

#3 - Workaholics

Muita gente já trabalha num esquema de total dependencia do computador. Eu sou uma delas e, em casa, trabalho e PC são coisas distintas. PC de casa é para jogar, ouvir musica, ver foto e ver filme. Ser workaholic é possível desde os tempos em que se enfiava calhamaços de papel embaixo do braço as 18 horas, não culpe o pc. A incapacidade de se desligar do trabalho pode ter ganhado uma mãozinha na roda com os computadores mas ai é uma questão muito mais comportamento do que ambiente.

#4 - “Vai estudar moleque”

Eu não vou bater na tecla já esmurrada de que jogar faz bem para várias áreas do cérebro, é um exercício. Mas fico com aquela de que eu não estudei muito mais do que 10 horas sobre programação longe do computador e HEY eu sou uma programadora. E aprendi um monte de coisa, util e inutil, na frente do PC. Falar alemão, história da russia, movimentos artísticos, revoluções sul americanas e como fazer um belo camarão à paulista são coisas que vieram direto da wikipedia e afins para meu cinzento cérebro. E nunca que eu ia levantar do sofá para andar até alguma biblioteca, caçar num livro enorme e pesado os 5 paragrafos que me bastam para saber o que é steampunk por exemplo. Até porque, dificilmente eu ia achar.

#5 - Razões Clínicas

Um dos melhores presentes que eu já ganhei foi um tapete. Um tapete que, plugado à um PC ou Playstation permite jogar jogos de dança… dançando. Cada canto do tapete funciona como um botão e os jogos são feitos para que, ao pisar no quadrados da forma certa, você, na vida real, e seu personagem, dançem. Sedentarismo é opçao. Ter um desses em casa é como ter uma esteira ou uma bicicleta ergométrica e vai da boa vontade.
Além do que, tem um bocado de dicas úteis para se viver de modo mais saudável espalhadas por ai.

Na verdade, eu não estou defendendo que as pessoas devam passar 24h com o computador. Eu, por exemplo, preciso de 1h por dia para ler e manter o cérebro oxigenado com coisas fantásticas. Mas a verdade é que o computador não faz mal à ninguém, nem se usado em excesso. Na verdade, tirando por tendinite e problemas de visão, eu não vejo como ele pode ser usado em excesso.

Claro, algumas pessoas se sentem melhor ‘offlines’. E outras acham invasivo e negativo ter TV no quarto. É pessoal e cultural, mas não existe uma verdade absoluta tal como “as pessoas precisam sair da frente do computador de vez em quando”. Se eu prefiro conviver com a ‘Misty Roxye’ e com o ‘Gladiator Henry’ ao invés da Angélica e do Marcio, provavél que eu me sinta melhor assim, não?

Esse post começou numa discussão (online por sinal) sobre organizar tarefas sem a dependencia de nada digital. Mas para mim, longe do PC, eu quero que minhas tarefas se explodam :) Sobra uma coisinha ou outra como lembrar aniversários e de comprar a areia do gato, e para isso, o celular toca um alarme. Para comer pipoca na frente da tevê, jogar bola com os sobrinhos ou salgar os fundilhos na agua do mar, no creo que precise de um organizador de tarefas, seja um google calendar ou uma agenda de papel escrita a BIC.

E para as horas que eu simplesmente não posso esperar minhas tarefas explodirem senão minha cabeçaempregosaldo bancário vão junto, PARA MIM o PC funciona bem melhor que o papel pelo simples fato de ter CTRL+F. Mas eu mexo com “estes pestes” à 14 anos, e devo usar canetas e papeis à 16, então, que diferença faz?

Claro que para algumas pessoas ter que abrir um programa para ver ‘o que temos para hoje’ é um saco, e é só uma coisa à mais para lembrar de fazer. Mas eu, que não fecho o thunderbird e o gMail por nada que não seja bug, me dou muito melhor do que aquele trombolho de papel que sempre some e eu nunca abro chamado agenda. Percebe como os dois precisam de uma dedicação? A qual de dedicar? A decisão é pessoal, cultural e instranferível.

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