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11/07/06 Neo-Pobre’s Hell Quest

Neo-Pobre. Estado de uma boa parte de quem era criança da classe média alta lá em meados de 90. Crianças que nem eu em 98, que andavam de calça da Levi’s. Que em 96 ganhou Pakalolo de Natal. Crianças para quem nunca faltou a trakinas e o danoninho. Crianças que cresceram e se f**deram. Neo-pobres não tem dinheiro, assim como os pobres, mas já tiveram um dia.

O que os diferencia dos meros ‘filhos de falidos’ é que herdamos a cultura que o dinheiro pôde proporcionar e herdamos o bom-gosto: comemos gelatina com gosto mas sabemos que nem se compara com um petit-gateu de um delicatessen fino do itaim bibi. Neo-pobres geralmente aspiram eou trabalham em áreas criativas como publicidade, internet e moda embora haja uns e outros perdidos em outras áreas. E mesmo que geralmente a área escolhida seja de uma ascensão lenta e dolorosa, nunca, jamais, sob hipotese alguma, um neo-pobre se rende aos concursos públicos.

Tendo esclarecido agora posso contar… A infernal saga de ser uma neo-pobre - Parte I

Há uma semi-preciosidade em termos de serviços públicos chamada bilhete único, que é um passe de ônibus / trem / metrô que permite gratuidades ou descontos para quem usa mais de um transporte coletivo num periodo de 2 horas. Ele funciona como um cartão de playland: você vai até um posto de recarga e coloca quantos reais de crédito quiser. E é ai que minha hora de almoço virou um inferno.
Os primeiros dias úteis do mês são marcados pela busca dos pobres de todos os tipos por estes postos de recarga de bilhete único. Há alguns em estações de metrôs, nos raros postos da SpTrans e nas casas lotéricas. Fui até a lotérica colocar a quantidade exata de dinheiro que ia gastar até o salário que vêm, para não correr riscos de chegar bem na catraca do ônibus e ficar sem grana. Fila infernal, no sol das 13h. 15 minutos depois a tia da lotérica vem dizer que deu pane no sistema. Normalmente ele sai do ar em todas as casas lotéricas por algum motivo que eu desconheço. Por sorte, dessa vez foi uma pane na máquina da caixa lotérica por causa de um outro sistema do governo (o que paga o bolsa família).

Resolvi andar, depois dos 15 minutos perdidos na fila, 5 minutos até a outra lotérica do bairro. Mais fila. Finalmente eu chego no caixa, sem sinais aparentes de bug:

Jess diz - "Boa tarde, a senhora poderia colocar R$ 42,00 de crédito?" - e estende o mardito e uma nota de R$ 50.
Tia diz - "Ah não, só vou colocar R$40"
Jess faz cara de espanto e replica - "Mas eu pedi R$ 42!"
Tia - "Ah, não tem mais troco, e ou você coloca R$40 ou R$50"
Jess pensa sariamente em mandar a velha tomar n… ~inspira fundo~ e diz: - "Obrigada".

Pego o cartão de volta e decido que eu prefiro comprar passes de metrô, lembrando que até dois anos atrás não existia bilhete único e os transportes não eram mais ou menos agradáveis do que agora por causa disso e achando que essa coisa de modernindade é complicada demais quando cai nas mãos erradas.

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