Primeiro dia de trabalho do programador mais velho que eu, com mais tempo de experiência e no último semestre da faculdade (lembrando que eu sou bixete): o cara chega com pencas de livros e apostilas embaixo do braço: era para parecer inteligente mas me pareceu coisa de poser. E se você não gosta de Glam Rock, não é legal ser poser. Mas até ai perdoável…
Triste mesmo foi quando deram um teclado americano para ele e ele usou mapa de caracteres porque não sabia fazer ‘Ç’ usando C+Acento. Depois disso eu nunca mais levei ele à sério. Nem esperneei com o inglês medonho dele para palavras do cotidiano de TI como “array” e afins.
Não, ninguém é mais ou menos respeitável por saber ou não usar teclados jurássicos. Ninguém tem obrigação de ter uma pronuncia de inglês técnico impecável para ser um programador impecável. Mas, pelo menos do meu ponto de vista isso afeta a credibilidade de um profissional.
Informática é uma área de trabalho muito dinâmica. Por mais que descubram novas doenças e curas com uma certa frequência, nem medicina é algo tão frenético quanto TI e suas aparições de novas linguagens, novas semânticas, novas metodologias, enfim novos desafios diários (será por isso que TI é mais estressante que medicina?). Sendo assim eu creio e afirmo sem dúvidas que não dá para ser um bom profissional sem estudar muito e constantemente, onde estudar vai de ler blogs sobre a área à ter feito pelo menos um ‘hello world’ em cada linguagem nova que seja promissora.
E tendo esse aprendizado contínuo, não acabamos aprendendo pequenas coisas aparentemente ‘alheias’ à profissão por osmose? Eu creio que sim, e pensando assim seria o próximo passo concluir que ou se sabe tudo, o básico e os add-ons, ou não se sabe nada, já que aprendendo o básico os add-ons vem por osmose.
Hoje em dia diploma não basta, até porque deixando cair o Rg e pagando em dia, em alguns lugares se compra um em 48 ou 96 prestações chamadas ‘mensalidades’. Talvez por isso o mercado esteja saturado de profissionais formados e tão precário em profissionais capacitados. E para saber a diferença, eu ainda me pego primeiro nas coisas pequenas.
Carreira, Mix Tape