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13/03/08 Crianças e Tropa de Elite?

Eu não sou um bom exemplo de dotes maternais. Não tenho filhos, não ajudei na educação de nenhum irmão\primo\sobrinho… alias, nunca convivi muito com crianças depois que meus amigos e eu deixamos de se-lo. Mas acho que eu tenho uma boa noção de "Dos and Don’ts" com crianças.  E também acho que estou cercada de gente que não tem.

Sábado, 18h começou uma festa de criança no prédio em que moro. Estranhei o horário mas como as crianças tinham uma média de 7 ou 8 anos, não me pareceu inadequado, só inconvencional. Cruzei os dedos e esperei que a músicas parassem antes das 22h.

E, bom, música…! Quando eu era crianças nas festinhas tocava Xuxa, Chiquititas, músicas do Pokemon e Cavaleiros do Zodiaco, Spice Girls, Backstreet Boys e outras pop-zices. Mas 10 anos se passaram e hoje eu esperava que em festa de crianças tocasse Rebeldes, High School Musical, Puff Amy Yummy, Ivete Sangalo, coisas assim.  mas contrariando as expectativas, a festa começou com hinos de time de futebol. Festa de menino, ok. E o que veio depois? O Funk do filme Tropa de Elite.

Me parece óbvio Tropa de Elite não é um filme para crianças. Meu argumento mais simples para isso é que no filme o bem não ganha no final porque não há bem algum e em resumo, ninguém alí serve de bom exemplo e na falta de um herói, qualquer um pode acabar virando exemplo.

Claro, crianças são espertas e acabam tendo acesso à muito mais coisas do que o que lhes é adequado. Internet, escola, amigos, pais que saem para trabalhar, tudo é chance de conseguir uma cópia do filme e assisir ou de baixar o funk. Acontece, é normal. Além do que, o funk teve a ajuda de vários carros com som potente para se espalhar muito mais que o filme.

Mas tem uma diferença enorme entre essas situações acima e pais que expõem seus filhos voluntáriamente à uma música chamada Funk das Armas, escrita em uma variação bizarra do que seria portugês português e com uma témática bandida e violenta (veja aqui a letra).

Será que virei careta antes mesmo dos 30? Estou sendo exagerada, reaça, paranóica? Ou será que o mundo anda tão errado que pouca gente percebeu?

Categorias Mix Tape     comentarios



Comentários





  • Jonny

    No 1o dia de trabalho como professor de informática, fui até o pátio para ver as crianças brincando de “corre cotia…”

    As crianças da 1a série tinham colocado um verso final na música…

    “Pode jogar? Pode… Ninguém vai olhar? Nãããão!!!

    E CALA BOCA E NÃO ENCHE O SACO”

    Fiquei de queixo caido, mas casquei o bico!

  • Amands

    É triste ver, mas é a realidade, as crianças(e os adultos tbm) andam absorvendo todos esses “modismos” nada saudaveis por ai…

    Eu as vezes me acho uma idosa, o certo e errado mudou muito, mas enfim, adorei teu blog, primeira vez que visito e pode deixar que vou voltar!

    Bjs

  • Lu Monte

    É como você disse: por mais que as crianças sejam “espertas”, é preciso que os pais as protejam, nem que seja simplesmente para que elas desenvolvam a noção do certo e do errado para cada idade. Essa permissividade toda resulta em pitboys e adolescentes grávidas…

  • jan

    Como mãe eu posso falar, o importante é ensiná-las a ter discernimento, e senso crítico. eu falo palavrão à beça, e quem me dá bronca? minha filha. que não fala nenhum!!
    Mas pior do que palavrão é ver eles aprendendo que violência é banal e faz parte do dia a dia, quando nunca deveria ser…
    Não se sinta velha, pense que você sabe discernir. :-)

  • Robson Leandro da Silva

    Não sei Jess… fiquei pensando depois de ler este pot e me lembrei de algumas coisas. Acho que cada geração tem o seu momento de transgressão. Mesmo que sejam crianças. Me lembro de uma festa dessas que teve no seu prédio, que rolou no meu. Era o fim dos anos 80 (87 ou 88). Era um domingo e a festinha começou por volta das 18h. A música que abriu o set foi o hino do São Paulo F.C. (time de coração do pai do meu vizinho). Em seguida entrou ´´Bichos Escrotos´´ dos Titãs. A versão integral, sem cortes. E nós ( na ocasião eu tinha 13/14 anos) cantando a plenos pulmões o refrão (… vão se fudêêê…).

    Claro que eu apanehi quando cheguei em casa. Mas nem por isso me tornei um desajustado ou algo assim (pelo menos é o que eu acho). :) Que os pais precisam acompanhar de perto isso é certo. Porém não acredito que isso traga danos futuros para essa geração.

  • Johnny C

    que deveras bizarro O.o não, eu já tenho medo desses infantes de hoje quando comparo com a minha infância… na minha época de infante, meninos não gostavam de meninas. dai a origem de bricadeiras como o famoso “tá namorando! tá namorando!” tirando sarro de algum amigo. e quando as meninas vinham querendo dar abraço e beijo que todo mundo saía correndo! hoje em dia, tem até foto daquele molequinho oriental dando uns pegas cabulosos numa minininha!

    eu quero ver como serão os próximos 20 anos no mundo… apesar de ter medo =p

    beijos Jess!

  • Renata Rocha

    Eu costumo me considerar uma pessoa extremamente liberal, mas quando se trata de limites da educação infantil, acho que sou mais retrógrada que a maior parte das pessoas por aí. Concordo com tudo que você escreveu. Não acho que uma criança tem discernimento para ouvir o “Rap das Armas” sair ilesa. Eu não pretendo ter filhos, mas, se tivesse, sabendo que uma criança ia acabar assistindo ao Tropa de Elite com algum coleguinha, eu ia tratar de assistir com meu filho, fazendo todas as ponderações que achasse necessário, antes que alguém enfiasse idéias tortas na cabeça do moleque.

  • Madu

    Nossa, meu! Ficou careta não! É falta total de senso mesmo! Ampliamos o acesso a informação sem capacitar as pessoas a lidar com isso.
    Curti seu blog! Vou voltar mais veses! =)

  • Roney Belhassof

    O Rap das Armas já virou música infantil assim como um monte de “tô ficando atoladinha”.

    Eu sou extremamente a favor de expor a criança à realidade, sou a favor de todos nos expormos à ela, o problema é como vamos fazer isso…

    Tenho a impressão que estamos todos com medo, com muito medo, e acabamos tentando nos saturar de coisas horríveis para ver se banalizamos o medo e deixamos de sentí-lo.

    Isso tudo é um longo papo, não vou encher seu blog com um comentário de 10 páginas! Hehehe!

    Vou dizer só que acho este momento de caos um desequilíbrio inevitável em momentos de transição. Acredito que nosso medo é quase infundado e me preocupo muito com o involucionismo (parece senso comum que hoje é pior que ontem e melhor que amanhã) que domina nossa cultura que até parece mesmo estar sendo propositadamente aterrorizada pela mídia e pela propaganda de uma sociedade do espetáculo que nos controla pelo medo não de um outro país, mas de inimigos íntimos e não identificáveis que se escondem entre nossos vizinhos.

    Eu sou muito tagarela… ;-)

    Excelente blog, viu? Te achei entre as pessoas que o Interney segue no Twitter e foi uma grata descoberta!