eu sempre tive ODIO de gente palpitando sobre a minha vida, especialmente quando eu não estava por perto para rebater. me nauseava alguém dizendo o que achava que eu deveria fazer ou não, como, por que e blábláblá. me tirava do sério, já que eu sempre ralei para caramba e acreditei estar fazendo as coisas certas, não precisava de um monte de pentelho mal informado palpitando.
Embora não tire o mérito de alguns conselhos, aqueles que são ditos pessoalmente, tenho minhas provas de que segui bem não ouvindo os palpiteiros e que fiz tudinho do jeito certo. A principal prova é que hoje eu não tenho absolutamente nada do que reclamar: “dinheiro, trabalho, sorte no amor e no jogo” e outras coisas que os anuncios de mandingas vendem, eu tenho em quantidades satisfatórias. bom, tenho uma gata que me odeia, mas isso é outro papo…
Só que depois de tanto tempo reclamando de quando transformavam minha vida em tema de debate, justamente por meu atual contentamento com a dita, somado à vasta experiencia desses 21 anos, 2 meias faculdades, vários empregos e incontáveis causos para contar, eu virei exatamente uma pentelha palpiteira! No começo me pareceu incoerente mas é meio óbvio até: já que fiz tudo como achei que deveria e até hoje deu tudo certo, deduzo que eu sei sobre como botar a vida para funcionar bem com médio esforço. e se eu sei tudo isso, as pessoas deveriam me ouvir :)
Pior ainda: ainda não superei minha própria birra com palpites. Um dia desses me disseram que “estivemos conversando sobre como você deveria (…)” e o primeiro pensamento que me veio foi carregado de raiva. O segundo, atangonico, foi a vontade de dizer para o tal sujeito ‘fazer melhor’ antes, e mais! como o assunto era relacionado à trabalho, tracei mentalmente na mesma hora todas ações que o sujeito deveria tomar para ter uma carreira que eu aprovasse, antes de dar palpite na minha.
Não foi intencional mas virou quase um tique, um habito feio tipo cutucar o nariz ou escrever sem acento =P. Até queria parar de palpitar aos 4 ventos e compilar os palpites todos num livro de auto-ajuda mas não me contenho. É só alguém manifestar o mínimo descontentamento perto de mim que eu já elaboro meios de resolver todo e qualquer problema. No começo com uma sugestãozinha aqui e alí só para os cunhados, que são sempre alvo fácil (isso é sempre válido e sempre reciproco) mas agora percebo que se continuar treinando tanto, em alguns anos estarei plenamente apta decidir por meus genros\noras toda a vida deles.
“Jess, você virou um monstro!!!!”
É, eu sei. =( Acho que nem quando descobri que gostava de rúcula depois de uma infância onde não comia nem gelatina verde me senti tão auto-sabotada. E não consigo nem fingir arrependimento. Passei do passo 1 de admitir o fato mas não vejo o problema de verdade. Eu não quero mais parar! Até porque, senão quais serão minhas conversas nas reuniões de família?
Bom, se quiserem praticar o fino esporte da palpitagem, a caixa de comentários está ai para isso :)
Comportamento, Psicologia Empírica