Esse feriado bem no meio da semana tinha tudo para ser um dia gasto só dormindo, comendo e jogando. Num raro momento de animo, achei melhor evitar essa preguica toda e, já que acordei meio dia, subornei o felipe com a promessa de um almoço com picanha e cerveja para darmos um passeio a pé pelo centro de São Paulo.

Descemos na estacao da Luz para visitar a sala São Paulo, que estava fechada. Como saco vazio não para em pé, seguimos para o Viaduto do Chá rumo à picanha, no bar salve jorge. Comidos e bebidos, continuamos o passeio ate a Sé, quando vi algo inustado: três adolescentes japoneses munidos de uma camera de video tentando conversar em ingles com uma policial da guada civil metropolitana, que visivelmente nao estava entendendo nada.
Num misto de autruismo com curiosidade, abordei os quatro e perguntei aos turistas “do you need any help?”. Pelo jeito eles estavam documentando a visita e queriam saber mais sobre a Praça da Sé. As perguntas, dirigidas a mim e a policial, eram sobre a importância histórica do lugar, se era perigoso a ponto de justificar ter tantos policiais e porque era tão cheia. Respondi essa última pergnta dizendo que embaixo da praça fica uma estação de metrô com 2 diferentes linhas que cobrem uma boa parte da cidade, da qual estavamos bem no centro, perto de centros de compras e de vários predios comercias e etc etc. Ento um deles percebeu algo que eu ainda não tinha visto: meus argmentos tornam a Praça da Sé um lugar por onde muita gente deveria passar mas a maior parte das pessoas alí estavam paradas. A escadaria da Sé estava assim:

O japinha me pegou nessa! Expliquei que alguns (naquela hora, a minoria) eram moradores de rua, outros trabalham na região e encontram com os amigos para beber depois do trabalho ou estão tomando um sol na hora do almoco. Mas nem eu nem ele ficamos satisfeitos com a resposta e até agora eu pergunto: alguém pode me explicar porque tem tanta gente vagabundeando por lá? Vocês que não são de São Paulo: na sua cidade também ha um ponto onde gente desempregada, religiosos e vendedores de souflair roubado se reunem para nada?
Achei engraçado que alguém precise literalmente atravessar meio mundo para me fazer olhar um pouco diferente para o meu próprio quintal.
São Paulo
(3) Comentários Quem é profissional de tecnologia sempre imagina a possibilidade de trabalhar de casa, seja como freelance ou como empregado de uma empresa trabalhando remotamente. Eu nunca tive essa oportunidade por mais que alguns dias (ok, eu nem tinha residência fixa ano atrás).
Aprendi com a minha mãe, que tem uma empresa em casa há no mínimo 7 anos (ou mais), que é preciso tomar cuidado com disciplina e separação, que atender telefonema de cliente de domingo é errado, tão errado quanto estar na cama as 11 da manhã duma quarta-feira. E que ainda assim, as vezes acontece. Porém ela trabalha com prestação de serviços e passa o dia falando com clientes e gente daqui e lá, visita clientes e fornecedores, interage com humanos.
Eu, que se fosse um dia trabalhar de casa ia interagir com bem menos gente, me preocupo sempre com essa questão do isolamento. Acho que ia me fazer mal ficar o tempo todo em casa e penso em alternativas para interagir com mais gente. A alternativa que mais me anima é aproveitar o tempo que economizaria de transporte e usar para fazer um curso divertido qualquer, como artesanato ou francês: isso garante conhecer gente com pelo menos um interesse em comum. Pensei em outras coisas, como trabalhar de vez em quando do escritório do cliente ou de algum local público com internet e se não interagir com, ao menos ver pessoas. Hoje há em São Paulo várias opções, como esse mapa colaborativo demonstra.
Você consegue imaginar a cena de um profissional levando seu escritório numa mochila para um starbucks, se esse ‘escritório’ todo for um celular e um notebook? Eu consigo. E se for um desktop completo, com monitor CTR e demais periféricos? Ai é complicado, exagerado e ninguém faria isso, certo? Errado. Veja fotos e vídeos de gente trabalhando no starbucks com desktop e tudo! Surreal.
E com certeza estas pessoas não estão pensando em manter relações sociais ativas, só querem mesmo comprar um frapuccino e ganhar conexão com internet. Claro, eles não vivem em São Paulo: aqui tem quem tenha medo de andar com o note escondidinho na bolsa, imagina carregar um PC Desktop completo? Medo.
Carreira, Informática, Internet, São Paulo
(5) Comentários Não estou falando daquele vídeo-game super velho que pode ser emulado em qualquer PC. Estou falando de um Atari único. O Atari Club, que reabre este fim de semana em novo endereço depois de quase 2 anos de hiato (“agradecimentos” à prefeitura paulsitana). Se você tinha uns 18 anos em 2006, ano em que a casa fechou, provavelmente sabe a relevância de uma notícia destas. Se você não está entendendo nada, vou tentar explicar, mesmo sabendo que não é fácil.
Apesar de ser reaberto no Ipiranga, o Atari ficava entre os Jardins e a Consolação, na Alameda Lorena. Como a maioria das casas da região, atraia um público ‘estranho’, hoje rotulado de ‘modernos’ embora na época ninguém soubesse como chamar aquela molecada com pinta de roqueiros mas de roupas pretas e coloridas, franjões na cara e muito mas muito delineador. Alguns arriscam dizer que foi a primeira balada emo da cidade, algo para se fazer tarde da noite, já que no Hangar 110 os melados shows acabavam cedo.
Como chegar lá? Saia do metrô consolação, pare no Pão de Açucar da Al. Santos, beba algo alcoolico por 1h, encontre os amigos e vá reto, siga o barulho e as pessoas.
Ao entrar no sobrado onde o Atari ficava, era-se recebido com música que vairava de acordo com o dia. Nas quintas-feiras da festa orgástica o som era mais animado e extrovertido. Nos tradicionais sábados, muitas coisas que na época eram novidades aqui como Jimmy Eat World, Strokes e Stripes davam o tom da bem frequentada pista. Mas nem só de pista e bar era feito o Atari. O banheiro misto e a Dark Room, que por um tempo teve máquinas de fliperama, eram tão animados quanto o dance floor.
Essa animação, claro, envolvia muita saliva. Um pequeno exemplo semi-real disso são as cenas do livro Fugalaça que se passam num tal de Pac-Man (oi? referência obvia). Mas pequeno mesmo; no Atari alguns conceitos que são padrões vigentes aqui fora, como monogamia e heterosexualismo eram só mais uma opção lá dentro. O vale tudo lá era na música, na roupa e nas paixões; e tendo um público adolescente, pode-se imaginar a intensidade das paixões e grandes amores que começaram e acabaram alí. Se sua imaginação é fraca, a comunidade da casa no orkut ajuda.
Taí a receita de sucesso: era um lugar que fazia algumas pessoas se sentirem melhores, menos estranhas e mais felizes. Não todos, por isso é um típico caso de ‘amo ou odeio’ (tal qual A Lôca, dizem); e o tanto de amo é tanto que eu no auge dos meus vinte-poucos-anos imagino que se essa volta não for um fracasso, daqui uma decáda iremos falar do Atari como ouvi tanta gente de trinta-e-poucos falando com carinho e saudosismo da Toco ou da Overnight.
Bom, é isso ai que está voltado: farra, música, tequilas e até a adolescência, parece. Preparem os All Stars, já que a casa volta com as festas Orgástica, Circuito Boobbaloo e a matinê Converse Party e bora para a festa.
Atari Club
Reabertura: 23/02/2008
Rua Vergueiro, 6386 (perto da estação de metrô Alto do Ipiranga)
Baladas e Shows, Comportamento, Música, São Paulo
(3) Comentários São 17 horas do segundo dia da campus party mas só agora deu para sentar um pouco e escrever sobre o primeiro dia.
A Chegada
O site informava que o credenciamento começava meio-dia. Resolvi chegar um pouco mais tarde e evitar filas mas não adiantou. As 13h30 a fila estava imensa e para conseguir entrar foram quase três horas de espera. Menos mal que a interação social já começou na própria fila, encontrando pessoas já conhecidas. Depois de entrar, uma rápida fila para identificar os equipamentos e uma fila demorada para conseguir barraca.
Primeiras Impressões
A abertura oficial só começaria 23 horas. Então depois de jogar as bagunças na barraca e montar o computador na área comum, foi hora de conhecer os amigos dos amigos que estavam por perto. Grupos montados, fomos explorar a área de exposições, situada no terreo e aberta ao público. Para quem está inscrito, é unanime: o maior atrativo dos stands são os brindes.
A Abertura
Ministro Gilberto Gil, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, escolas de samba e o robô Quasi. Essa foi a receita da organização da Campus Party para a abertura mas não ficou só nisso. Os participantes adicionaram aos discursos seus protestos. Algumas pessoas e seus notebooks reunidos formando a frase “Ministro, paga meu cartão também?” na frente do palco; outros, de longe, usavam serviços de comunicação instantânea para pedir ao prefeito a reabertura do Stand Center e da casa noturna Madame Satã. Apesar da ‘formalidade’ da abertura, a maioria dos campuseiros já estava bem à vontade, passeando pela bienal de chinelo.
Madrugada Chega
Todos os pontos de venda de comida estavam fechados depois da apresentação. Apesar de muita gente reclamando da fome, poucos conseguiram encontrar comida nos arredores do parque. O jeito era ignorar a fome se divertindo no computador.
Com a marugada chegando, a quantidade de gente nas bancadas diminuia gradualmente. Não raro, ao seguir para a rampa que dá acesso às barracas era vaiado e acompanhado de gritos brincalhões de ‘fraco’ e ‘arregão’, mas os relatos de hoje de manhã confirmam: era preciso ser forte para deixar a conexão de 5G que o evento oferece. Apesar dos engasgos do Wi-Fi, a conexão à cabo fez bonito e deixou muita gente impressionada.
Hora de Dormir
Foi montada uma estrutura na parte de fora da Bienal com chuveiros aquecidos, com acesso direto do andar das barracas. O ‘vestiário’ estava satisfatótio, mas a falta de cortina nos boxes internos deixou muita gente constrangida. Banho tomado, pijama vestido, hora de ir para as barracas. Felizmente, mesmo enquanto muitos ainda estavam acordados, o andar das barracas estava silencioso; ouviam-se alguns barrulhos de bombas de ar enchendo colchões e um eventual grito vindo da área de games mas nada que atrapalhasse o sono. Eventuais brincadeiras entre amigos foram feitas em silêncio, e este durou até as 8, quando os campuseiros começaram à acordar para o segundo dia.
Internet, São Paulo, campusparty
(4) Comentários Estão falando muitas coisas sobre campus party: do aspecto nerd, do aspecto revolucionário (se é que há algum), de hypes, da internet fenomenal… mas o que pareced que ninguém percebeu é que aqui o clima é exatamente o de uma viagem com a escola.
Diversão não falta: internet, televisão, massagem, touro mecânico e um parque inteiro. Nem precariedade: dormir em barraca sem colchonete, tomar banho coletivo (constrangedor demais!) e viver de trakinas, se você não contratou o pacote alimentação. E fofoca, muita fofoca! Todo mundo tem um curriculo que é passado para os outros ao pé do ouvido por terceiros. E como só passamos da primeira noite, logo devem ter os boatos de quem dormiu na barraca de quem, quem contrabandeou vodka, quem foi visto de pijama mas sem roupas debaixo.
Só faltaram as canções no fundo do ônibus mas o restante é tudo tipicamente escolar! Certeza que não tarda para começarem a premiar os sonolentos com maquiagem de pasta de dente,
Informática, Internet, São Paulo, cparty
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