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19/19/08 Explorando os pontos fracos da raça humana

Provavelmente quem joga qualquer tipode RPG deve estar familiarizado com o conceito de diferentes raças terem seus prós, contras e peculiaridades. Essa semana mais que nunca eu percebi quais são os pontos fracos da raça humana. Esses pontos são características que se exploradas corretamente podem ser fatais para um humano, levando-o à ruína usando contra ele sua própria natureza.

Um destes pontos fracos é a frase “Toca aqui”, acompanha de uma mão aberta estendida, o High Five. As regras dizem que se alguém lhe diz a tal frase, você tem que bater na mão da pessoa. Do contrario ela fica proibida de abaixar a mão, tornando-a inútil. Chris Harding, o gênio autor das tirinhas We The Robots tem uma série de 3 tiras bem interessante sobre isso: 1, 2 e 3. Podemos concluir então que se um assaltante portando uma arma está com o produto do roubo na outra mão, você pode desarma-lo ou faze-lo soltar o item subtraído simplesmente dizendo “Toca aqui mano”. Salvei sua vida, hum?

Outra frase que abala todo o sistema de raciocínio lógico humano é “eu duvido”. Não funciona com todos humanos mas com os que funcionam basta dizer “Eu duvido que você faça tal coisa” e independente da capacidade ou vontade real de fazer a tal coisa, o humano vai tentar faze-la. Comigo funciona as vezes.

Entretanto, a terceira característica é uma que eu não tenho, e que me levou à suspeitar de que talvez eu a) não seja 100% humana b) tenha alguma falha genética. Esta característica é a reação à frase “Seu tênis está desamarrado”. As pessoas dizem esta frase esperando que você olhe para baixo, constate que seu tênis realmente está desamarrado e entre em pânico instantâneo, erguendo a bunda e abaixando a cabeça onde quer que você esteja, para amarrar o dito.

Só que eu respondo: “Aham, obrigada”, porque eu não sei amarrar tênis e por causa disso descobri que essa história de que se cai por causa de cadarço solto é um misto de folclore com imbecilidade individual de alguns. Mas as pessoas, conhecidos e desconhecidos, em média 5 por dia, que me avisam desta aberração em meus pés não se conformam com a minha reação e insistem no alerta. Achariam mais normal que eu corresse em círculos aos prantos com os braços para o alto do que eu simplesmente dizer que eu sei que meu tenis está desamarrado e vai continuar assim.

Como as vezes isso tudo cansa, pensei em usar crocs, que não tem cadarço e permitem o uso de meias mas GENTE! faz muito mais sentido aporrinhar quem usa crocs, afinal aquilo sim é uma aberração. Mas acho muito mais provável eu me familiarizar com a revelação de que sou um alien do que com aqueles troços. Alguma sugestão melhor?

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15/15/08 E você, o que acha?

eu sempre tive ODIO de gente palpitando sobre a minha vida, especialmente quando eu não estava por perto para rebater. me nauseava alguém dizendo o que achava que eu deveria fazer ou não, como, por que e blábláblá. me tirava do sério, já que eu sempre ralei para caramba e acreditei estar fazendo as coisas certas, não precisava de um monte de pentelho mal informado palpitando.

Embora não tire o mérito de alguns conselhos, aqueles que são ditos pessoalmente, tenho minhas provas de que segui bem não ouvindo os palpiteiros e que fiz tudinho do jeito certo. A principal prova é que hoje eu não tenho absolutamente nada do que reclamar: “dinheiro, trabalho, sorte no amor e no jogo” e outras coisas que os anuncios de mandingas vendem, eu tenho em quantidades satisfatórias. bom, tenho uma gata que me odeia, mas isso é outro papo…

Só que depois de tanto tempo reclamando de quando transformavam minha vida em tema de debate, justamente por meu atual contentamento com a dita, somado à vasta experiencia desses 21 anos, 2 meias faculdades, vários empregos e incontáveis causos para contar, eu virei exatamente uma pentelha palpiteira! No começo me pareceu incoerente mas é meio óbvio até: já que fiz tudo como achei que deveria e até hoje deu tudo certo, deduzo que eu sei sobre como botar a vida para funcionar bem com médio esforço. e se eu sei tudo isso, as pessoas deveriam me ouvir :)

Pior ainda: ainda não superei minha própria birra com palpites. Um dia desses me disseram que “estivemos conversando sobre como você deveria (…)” e o primeiro pensamento que me veio foi carregado de raiva. O segundo, atangonico, foi a vontade de dizer para o tal sujeito ‘fazer melhor’ antes, e mais! como o assunto era relacionado à trabalho, tracei mentalmente na mesma hora todas ações que o sujeito deveria tomar para ter uma carreira que eu aprovasse, antes de dar palpite na minha.

Não foi intencional mas virou quase um tique, um habito feio tipo cutucar o nariz ou escrever sem acento =P. Até queria parar de palpitar aos 4 ventos e compilar os palpites todos num livro de auto-ajuda mas não me contenho. É só alguém manifestar o mínimo descontentamento perto de mim que eu já elaboro meios de resolver todo e qualquer problema. No começo com uma sugestãozinha aqui e alí só para os cunhados, que são sempre alvo fácil (isso é sempre válido e sempre reciproco) mas agora percebo que se continuar treinando tanto, em alguns anos estarei plenamente apta decidir por meus genros\noras toda a vida deles.

“Jess, você virou um monstro!!!!”

É, eu sei. =( Acho que nem quando descobri que gostava de rúcula depois de uma infância onde não comia nem gelatina verde me senti tão auto-sabotada. E não consigo nem fingir arrependimento. Passei do passo 1 de admitir o fato mas não vejo o problema de verdade. Eu não quero mais parar! Até porque, senão quais serão minhas conversas nas reuniões de família?

Bom, se quiserem praticar o fino esporte da palpitagem, a caixa de comentários está ai para isso :)

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