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11/11/07

E eis que eu decidi comprar um Fugalaça[bb], o livro que a Mayra Dias Gomes escreveu aos 17 anos. Por dois motivos, basicamente. O primeiro que eu amei o jeito como ela começou a reportagem sobre a banda The Used:

vamos voltar a 2002 e a 2003. Vamos voltar ao Casarão Amarelo, ao Subjazz e ao Atari. Vamos calçar os sapatos de adolescentes dessa época e falar sobre The Used.

Antes mesmo de ler isso, calçada em meu velho e fedido all star, uma bobagem que poderia ter acontecido na escola, na 8a série, mas que aconteceu semana passada, me jogou de volta para 2002 ou 2003, aos meus 17 anos, àqueles lugares estranhos da rua augusta, aos textos arrancados das visceras direto para as páginas da minha velha agenda. Voltei para aquela inconsequência toda, ao uso indiscriminado do “foda-se”, ao nothing left to lose. Voltei ao descontrole pré-sertralina,de picos de animação e tristeza num dia só; por esses picos entendam rir de praticamente qualquer coisa ao meio dia e à me trancar no banheiro para chorar as duas da tarde.

O mais estranho disso, dessa confusão toda é que eu não reclamo. Me considero uma privilegiada por não ter perdido o tesão pela intensidade emocional, mesmo sabendo que é um convite à auto-destruição; ainda sou um bom exemplar sagitariano, do tipo “cortes, dores, cicatrizes e sangue”. Do tipo de personagem que eu espero encontrar no livro. Porque em música, literatura, cinema, me interessa muito mais identificar-me do que notar uma genialidade ou sei lá o que, incompreensível.

Eu sei que eu não preciso justificar, na verdade queria dividir o porque der ter em mãos o Fugalaça e ingressos para o show do used: porque são coisas com as quais me identifico, que servem para cutucar as feridas e relembrar coisas boas. E um dia talvez deixe meu proprio legado para a humanidade, um livro de poucas páginas que começaria assim:

Era 2002, tinhamos 16 anos, Bad Religion se misturava com The Get Up Kids no Winamp, a pose “skate punk” começava a perder força, ficar menos revoltada e decorada com bottons de “me leve às estrelas”; o advento da internet somado com o declinio da classe média já havia formado uma geração estranha de adolescentes que cresceram largados e interdepententes. Era um pouco depois época das ‘primeiras vezes’, ou seja, era a época das mais memoráveis vezes e tudo era intenso pracaraleo.

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13/13/07 post #107

Uma parte de mim é bastante sociável, para o bem e para o mal. Eu não consigo ser puxa-saco mas consigo dizer exatamente o que as pessoas querem ouvir, se eu tenho um bom motivo para isso. Raramente é só para agradar a pessoa, provavelmente, é para tirar fruto do agrado. Eu consigo puxar conversa e dirigi-la bem para isso. E esse é o lado negro da força.

Mas tem gente que realmente me parece interessante e eu dou um jeitinho de conhecer. Tendo em vista que “interessante” pode ser muitas mas muitas coisas, a tendência é que eu conheça bastante gente, de tiazinhas no ônibus à celebridades.

Só que eu tenho um lado sociopata. Não exercito ele mais do que anotar uma série de características mais comuns e definir se é um indicador bom ou ruim. Não é uma regra infalível mas tem uma chance grande de acerto.

Amantes de esportes, ouvintes da Mix Fm, usuários de jargões, colecionadoras de saltos-altos e donos de carros esportes geralmente me matam de tédio.

Gente que lê bastante[bb], gamers, odiadores de praia, comedores de sushi e entendedores de música (do tipo que sabe acordes de guitarra, não que decora nome de EPs de bandas bizarras) me agradam.

De uns tempos para cá, tenho muito mais gente no grupo de desagradáveis do que do grupo de agradáveis. Não é intencional! Muito pelo contrário. Eu e minha mesa de bilhar adoramos receber visitas, meu MSN anda tão vazio quanto minha lista de tarefas (sendo que o ideal é que sejam inversamente proporcionais), e nos ultimos 6 meses devo ter conhecido umas 3 pessoas interessantes.

Eu não sei se eu que estou ficando muito seletiva, com essa mania de olhar torto para tudo ou se o resto do mundo que está maconheiro demais, metido demais, comportado demais, informado de menos. Só sei que eu desisto da idéia de ir à academia toda vez que penso no estereótipo que lá habita e que os únicos desconhecidos com quem converso são posts novos, que não sabem dialogar direito e transformam tudo em monologo.

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15/15/07 Televisão Digital no Brasil

Foto tirada numa grande loja de um grande shopping exibindo, ao invés da programação, uma bela tela… azul! (Azul, não me diga o.0)

Entenda a tv digital no brasil

Ah, não, obrigada. Tv digital para mim ainda é seriado via bit torrent.

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12/12/07 Semana de Sexta-Feira 13 é isso: ataque dos mortos vivos

Não bastando ter dia da pizza, dia do rock e sexta-feira treze numa semana só, não bastando a normalidade de nascer-viver-comer, não bastando que o rodízio de carros em são paulo estava suspenso até hoje e o trânsito deixando tudo neurótico, tinha que acontecer alguma coisa comigo para justificar o misticismo duplo da data que se aproxima.

Terça, minha mãe avisa que um tio dela está no hospital, realmente mal, etc etc; discurso padrão pre-mortem e que era melhor minha vó não saber de nada até que fosse, hum, estritamente necessário.

Quarta, minha vó me liga para passar um recado. Recado dado, ela manda uma frase que eu conheço à anos: “filhinha, você não sabe o que aconteceu”. Eu respondi que sabia, que o tio estava no hospital, blá. Eis que começa o freak show:

“Ele está no hospital mas isso é só parte da história. Hoje de manhã me ligaram para dizer que ele tinha morrido. Nós [ela e os outros irmãos] fomos para o hospital, conversamos com o médico e tal e fomos atrás de cemitério. Tudo resolvido, fomos na casa dele buscar um terno para o enterro e fomos recebidos pela Fulana [uma das irmãs do falecido] dizendo que ligaram do hospital e que o Fulano [morto] está vivo e acordado, que era para voltarmos para lá correndo. Ele estava sentado na cama, brigando com todo mundo porque a gente queria se livrar dele.”

Sim, o cara morre, o médico diz: enterra. Ai o cara acorda e diz “Bando de filhos da …”. E todo mundo, que estava aos prantos simplesmente fica sem saber o que fazer, se reza para agradecer ou para exorcizar, se abraça ou se corre.

Eu não conseguia parar de rir no telefone, incrédula (e besta).
Depois tudo fez sentido: muitas pessoas com catalepsia já foram enterradas vivas ao longo da história e esse quase foi mais um. Catalepsia é uma patologia que te deixa sem funcionamento muscular, o que inclui o cérebro e o coração e por isso mesmo, confunde-se fácil com morte. E é uma patologia que atinge, entre outras pessoas, beberrões e alcolatras. Sendo que o tal “morto-vivo” estava internado justamente por problemas causados por bebida, tudo faz sentido agora, porque na hora que eu soube, eu só conseguia rir pensar em maldições de sexta-feira treze.

Por via das dúvidas, sexta é dia de virar a noite acordada com luzes acessas, nada de escuro ou balada+luz negra.

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20/20/07 É melhor eu não falar(escrever) nada nos próximos 5 dias

Plagiando o Cardoso: “Eu fui garçon na Santa Ceia e roubei no Chopp, eu fui aquele transeunte palpiteiro que sugeriu ao soldado romano “a corda tá soltando? Usa prego”. Eu estimulei Lee Osvald para o hábito da leitura, levei Tancredo pra uma feijoada “claro que não vai fazer mal pro seu intestino”.”

Complementando, eu devo incentivado o Salinger à aprender a escrever, lembrando que Lee Osvald teoricamente não foi o único à se inspirar. Aliás, eu sempre gostei d’”O Apanhador”, sempe me achei meio Caulfield… idiota e indecisa. Mas agora decididamente, eu sou um perigo.

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