Provavelmente quem joga qualquer tipode RPG deve estar familiarizado com o conceito de diferentes raças terem seus prós, contras e peculiaridades. Essa semana mais que nunca eu percebi quais são os pontos fracos da raça humana. Esses pontos são características que se exploradas corretamente podem ser fatais para um humano, levando-o à ruína usando contra ele sua própria natureza.
Um destes pontos fracos é a frase “Toca aqui”, acompanha de uma mão aberta estendida, o High Five. As regras dizem que se alguém lhe diz a tal frase, você tem que bater na mão da pessoa. Do contrario ela fica proibida de abaixar a mão, tornando-a inútil. Chris Harding, o gênio autor das tirinhas We The Robots tem uma série de 3 tiras bem interessante sobre isso: 1, 2 e 3. Podemos concluir então que se um assaltante portando uma arma está com o produto do roubo na outra mão, você pode desarma-lo ou faze-lo soltar o item subtraído simplesmente dizendo “Toca aqui mano”. Salvei sua vida, hum?
Outra frase que abala todo o sistema de raciocínio lógico humano é “eu duvido”. Não funciona com todos humanos mas com os que funcionam basta dizer “Eu duvido que você faça tal coisa” e independente da capacidade ou vontade real de fazer a tal coisa, o humano vai tentar faze-la. Comigo funciona as vezes.
Entretanto, a terceira característica é uma que eu não tenho, e que me levou à suspeitar de que talvez eu a) não seja 100% humana b) tenha alguma falha genética. Esta característica é a reação à frase “Seu tênis está desamarrado”. As pessoas dizem esta frase esperando que você olhe para baixo, constate que seu tênis realmente está desamarrado e entre em pânico instantâneo, erguendo a bunda e abaixando a cabeça onde quer que você esteja, para amarrar o dito.
Só que eu respondo: “Aham, obrigada”, porque eu não sei amarrar tênis e por causa disso descobri que essa história de que se cai por causa de cadarço solto é um misto de folclore com imbecilidade individual de alguns. Mas as pessoas, conhecidos e desconhecidos, em média 5 por dia, que me avisam desta aberração em meus pés não se conformam com a minha reação e insistem no alerta. Achariam mais normal que eu corresse em círculos aos prantos com os braços para o alto do que eu simplesmente dizer que eu sei que meu tenis está desamarrado e vai continuar assim.
Como as vezes isso tudo cansa, pensei em usar crocs, que não tem cadarço e permitem o uso de meias mas GENTE! faz muito mais sentido aporrinhar quem usa crocs, afinal aquilo sim é uma aberração. Mas acho muito mais provável eu me familiarizar com a revelação de que sou um alien do que com aqueles troços. Alguma sugestão melhor?
Mix Tape, Psicologia Empírica
nenhum comentário Eu não sou um bom exemplo de dotes maternais. Não tenho filhos, não ajudei na educação de nenhum irmão\primo\sobrinho… alias, nunca convivi muito com crianças depois que meus amigos e eu deixamos de se-lo. Mas acho que eu tenho uma boa noção de "Dos and Don’ts" com crianças. E também acho que estou cercada de gente que não tem.
Sábado, 18h começou uma festa de criança no prédio em que moro. Estranhei o horário mas como as crianças tinham uma média de 7 ou 8 anos, não me pareceu inadequado, só inconvencional. Cruzei os dedos e esperei que a músicas parassem antes das 22h.
E, bom, música…! Quando eu era crianças nas festinhas tocava Xuxa, Chiquititas, músicas do Pokemon e Cavaleiros do Zodiaco, Spice Girls, Backstreet Boys e outras pop-zices. Mas 10 anos se passaram e hoje eu esperava que em festa de crianças tocasse Rebeldes, High School Musical, Puff Amy Yummy, Ivete Sangalo, coisas assim. mas contrariando as expectativas, a festa começou com hinos de time de futebol. Festa de menino, ok. E o que veio depois? O Funk do filme Tropa de Elite.
Me parece óbvio Tropa de Elite não é um filme para crianças. Meu argumento mais simples para isso é que no filme o bem não ganha no final porque não há bem algum e em resumo, ninguém alí serve de bom exemplo e na falta de um herói, qualquer um pode acabar virando exemplo.
Claro, crianças são espertas e acabam tendo acesso à muito mais coisas do que o que lhes é adequado. Internet, escola, amigos, pais que saem para trabalhar, tudo é chance de conseguir uma cópia do filme e assisir ou de baixar o funk. Acontece, é normal. Além do que, o funk teve a ajuda de vários carros com som potente para se espalhar muito mais que o filme.
Mas tem uma diferença enorme entre essas situações acima e pais que expõem seus filhos voluntáriamente à uma música chamada Funk das Armas, escrita em uma variação bizarra do que seria portugês português e com uma témática bandida e violenta (veja aqui a letra).
Será que virei careta antes mesmo dos 30? Estou sendo exagerada, reaça, paranóica? Ou será que o mundo anda tão errado que pouca gente percebeu?
Mix Tape
(9) Comentários Ai então ontem, depois de comer um chinês, estava falando sobre a importância cultural do senhor dos anéis:
- “Porque o Legolas e o Gimli são o primeiro casal gay interacial”
- “Sério?”
- “Bom, pelo menos no mundo médio”
- “Terra média, você quis dizer?”
- “Middle Earth, sei lá… terra média né?”
- “É, terra média é tolkien, mundo médio* é Stephen King”
- “Ah sim, mundo médio é de ondem vem os pistoleiros. E as pistoleiras” (risos)
- “Não, pistoleiras vinham da Babilonia, é Oriente Médio, outra série de ficção famosa. Só não sei o nome de cada um dos autores mas chama-se Biblia”
*Mundo médio é um mundo descrito principalmente na série “A Torre Negra”, que se divide em 7 livros que contam a história da linhagem de pistoleiros e da saga do último deles em busca da Torre Negra.
Livros, Mix Tape
(3) Comentários Eu acabei nem tendo tempo de fazer uma restrospectiva 2007, como tantas outras que se viram por ai. Uma parte do motivo pode ser vista no no flickr; o resto se divide em amigos secretos, confraternizações, almoços de 3h e ataques shop-a-holic de presentes.
E revendo brevemente, 2007 teve duas coisas de importante. Foi um ano de fazer coisas e juntar pessoas (exatamente nessa ordem).
Agora, no dia 4 de 2008, o ano tem sido bem bom. Coisas simples da vida, tipo comida grátis, procrastinação, jogatina online, dialogos dignos do kevin smith.
Tem as situações desagradáveis: quebrei minha camera num dos amigos secretos, não durmo decentemente desde dezembro, e convivo diariamente com dialogos desse tipo:
- “bom dia”
- “se você está aqui à essa hora nem adianta dizer bom dia”
- “acertou! o dia vai ser infernal, se você não quiser trabalhar sabado”
E mesmo assim meu bom humor está quase intacto. Uma das causas é eu nunca levar nada à serio (muito menos a internet! viu pessoas da blogosfera :P); outra é que meu trabalho anda sob controle. Desde maiõ que eu não me recordo de ter metas que requeiram intervenção divina para serem alcançadas; o maior pé-no-saco que eu tive com trabalho ‘recentemente’ foi uma época de má gestão em que eu fiquei sem o que fazer, que foi pior do que ter trabalho demais.
Mas o que mais me tem feito bem foi ter contato com amigos frequentemente. Junte novas amizades, com velhas amizades em todas essas festas de dezembro e um juke joint inaugurado em maio (minha casa! desde os 16 eu não tinha onde juntar pessoas) e pronto! economize horrores em livros de auto ajuda. É meio piegas, dependete, puxa saco, mas é isso.
Ou quase, esqueci de citar Guitar Hero, que está pau-a-pau com banco imobiliario em termos de diversão em grupo.
Sendo assim, estão tudo tão lindo e tão batuta, quais são as metas para 2008? Por enquanto só uma: comprar Rock Band :P
Mix Tape
nenhum comentário E eis que eu decidi comprar um Fugalaça, o livro que a Mayra Dias Gomes escreveu aos 17 anos. Por dois motivos, basicamente. O primeiro que eu amei o jeito como ela começou a reportagem sobre a banda The Used:
“vamos voltar a 2002 e a 2003. Vamos voltar ao Casarão Amarelo, ao Subjazz e ao Atari. Vamos calçar os sapatos de adolescentes dessa época e falar sobre The Used.”
Antes mesmo de ler isso, calçada em meu velho e fedido all star, uma bobagem que poderia ter acontecido na escola, na 8a série, mas que aconteceu semana passada, me jogou de volta para 2002 ou 2003, aos meus 17 anos, àqueles lugares estranhos da rua augusta, aos textos arrancados das visceras direto para as páginas da minha velha agenda. Voltei para aquela inconsequência toda, ao uso indiscriminado do “foda-se”, ao nothing left to lose. Voltei ao descontrole pré-sertralina,de picos de animação e tristeza num dia só; por esses picos entendam rir de praticamente qualquer coisa ao meio dia e à me trancar no banheiro para chorar as duas da tarde.
O mais estranho disso, dessa confusão toda é que eu não reclamo. Me considero uma privilegiada por não ter perdido o tesão pela intensidade emocional, mesmo sabendo que é um convite à auto-destruição; ainda sou um bom exemplar sagitariano, do tipo “cortes, dores, cicatrizes e sangue”. Do tipo de personagem que eu espero encontrar no livro. Porque em música, literatura, cinema, me interessa muito mais identificar-me do que notar uma genialidade ou sei lá o que, incompreensível.
Eu sei que eu não preciso justificar, na verdade queria dividir o porque der ter em mãos o Fugalaça e ingressos para o show do used: porque são coisas com as quais me identifico, que servem para cutucar as feridas e relembrar coisas boas. E um dia talvez deixe meu proprio legado para a humanidade, um livro de poucas páginas que começaria assim:
Era 2002, tinhamos 16 anos, Bad Religion se misturava com The Get Up Kids no Winamp, a pose “skate punk” começava a perder força, ficar menos revoltada e decorada com bottons de “me leve às estrelas”; o advento da internet somado com o declinio da classe média já havia formado uma geração estranha de adolescentes que cresceram largados e interdepententes. Era um pouco depois época das ‘primeiras vezes’, ou seja, era a época das mais memoráveis vezes e tudo era intenso pracaraleo.
Livros, Mix Tape, Música
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