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11/11/08 Grandes Ficções e seus pontos médios

Ai então ontem, depois de comer um chinês, estava falando sobre a importância cultural do senhor dos anéis[bb]:

- “Porque o Legolas e o Gimli são o primeiro casal gay interacial”
- “Sério?”
- “Bom, pelo menos no mundo médio”
- “Terra média, você quis dizer?”
- “Middle Earth, sei lá… terra média né?”
- “É, terra média é tolkien, mundo médio* é Stephen King”
- “Ah sim, mundo médio é de ondem vem os pistoleiros. E as pistoleiras” (risos)
- “Não, pistoleiras vinham da Babilonia, é Oriente Médio, outra série de ficção famosa. Só não sei o nome de cada um dos autores mas chama-se Biblia”

*Mundo médio é um mundo descrito principalmente na série “A Torre Negra”, que se divide em 7 livros que contam a história da linhagem de pistoleiros e da saga do último deles em busca da Torre Negra.

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11/11/07

E eis que eu decidi comprar um Fugalaça[bb], o livro que a Mayra Dias Gomes escreveu aos 17 anos. Por dois motivos, basicamente. O primeiro que eu amei o jeito como ela começou a reportagem sobre a banda The Used:

vamos voltar a 2002 e a 2003. Vamos voltar ao Casarão Amarelo, ao Subjazz e ao Atari. Vamos calçar os sapatos de adolescentes dessa época e falar sobre The Used.

Antes mesmo de ler isso, calçada em meu velho e fedido all star, uma bobagem que poderia ter acontecido na escola, na 8a série, mas que aconteceu semana passada, me jogou de volta para 2002 ou 2003, aos meus 17 anos, àqueles lugares estranhos da rua augusta, aos textos arrancados das visceras direto para as páginas da minha velha agenda. Voltei para aquela inconsequência toda, ao uso indiscriminado do “foda-se”, ao nothing left to lose. Voltei ao descontrole pré-sertralina,de picos de animação e tristeza num dia só; por esses picos entendam rir de praticamente qualquer coisa ao meio dia e à me trancar no banheiro para chorar as duas da tarde.

O mais estranho disso, dessa confusão toda é que eu não reclamo. Me considero uma privilegiada por não ter perdido o tesão pela intensidade emocional, mesmo sabendo que é um convite à auto-destruição; ainda sou um bom exemplar sagitariano, do tipo “cortes, dores, cicatrizes e sangue”. Do tipo de personagem que eu espero encontrar no livro. Porque em música, literatura, cinema, me interessa muito mais identificar-me do que notar uma genialidade ou sei lá o que, incompreensível.

Eu sei que eu não preciso justificar, na verdade queria dividir o porque der ter em mãos o Fugalaça e ingressos para o show do used: porque são coisas com as quais me identifico, que servem para cutucar as feridas e relembrar coisas boas. E um dia talvez deixe meu proprio legado para a humanidade, um livro de poucas páginas que começaria assim:

Era 2002, tinhamos 16 anos, Bad Religion se misturava com The Get Up Kids no Winamp, a pose “skate punk” começava a perder força, ficar menos revoltada e decorada com bottons de “me leve às estrelas”; o advento da internet somado com o declinio da classe média já havia formado uma geração estranha de adolescentes que cresceram largados e interdepententes. Era um pouco depois época das ‘primeiras vezes’, ou seja, era a época das mais memoráveis vezes e tudo era intenso pracaraleo.

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22/22/07 Os Piores Textos de Washington Olivetto: Ruins mesmo.

No livro Sonhos de Bunker Hill o alter-ego de John Fante, Arturo Bandini, conhece uma escritora que o chateia profundamente por sempre citar nomes de pessoas que nem sempre Arturo conhecia e aparentemente não se importava em não conhece-las. E eu me senti como o Arturo nessa situação lendo Os piores textos de Washington Olivetto.

Verdade seja dita: escrevo esse texto tendo lido pouco mais da metade do livro mas não lí o resto porque achei extremamente CHATO. Sobram citações que tratam como amigos íntimos cidades européias, restaurantes que eu nunca ví e grifes que eu nem sabia que existiam. Não que isso seja extremamente ruim mas o excesso dessas citações faz com que todas se tornem irrelevantes. Exemplificando: se eu leio um texto que diz “Em uma de minhas viagens para o hotel [NOME], um tradicional e imponente hotel, localizado numa pequena cidade numa região montanhosa da França” provavelmente eu pesquisaria sobre o hotel que eu não conheço, já que a citação nominal do tal lugar denota que ele é a coisa mais interessante da frase. Mas ao citar o nome da cidade, do hotel, do consierge, do maitrê, do prefeito da cidade e muito mais, tudo passa a ser irrelevante e eu não vou me dar ao trabalho de pesquisar algo irrelevante. Só que no fim eu leio, perco todos os detalhes aos quais os nomes fazem referencia e acho o livro um porre.

Ok, podem me mandar resignar-me à minha condição ignorante e botar na cabeça que o target do livro não seja o “povão” só que ainda assim me causa estranhamento já que o autor é um especialista em comunicação para as massas. Ou talvez o título seja a verdade e não uma falsa modéstia.

E essa coisa toda de perder tempo com algo que não é do meu interesse poderia ter sido evitada se eu usasse os serviços que eu já conheço. O site What Should I Read Next? responde exatamente essa pergunta, se você informar o título ou o autor do que você leu. Para quem não pode se dar ao luxo de comprar um monte de livros ruins e não tem amigos com recomendações boas, este simples serviço, que funciona do mesmo modo que o last.fm mas de modo simplificado, pode ser bem útil.

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16/16/07 Desventuras em Série: O[s] Livro[s]

Esta série escrita pelo personagem Lemony Snicket, criado pelo escritor Daniel Handler, parece ter todos os elementos de uma boa série de livros infantis: Ilustrações, livros de poucas páginas e fácil leitura, explicação para as palavras dificeis e uma trama “bem versus mal”: três irmãos que ficaram orfãos fugindo de um vilão, chamado Conde Olaf, que insiste em se apoderar da fortuna que os irmãos herdaram.

Mas logo no primeiro dos treze livros, a infantilidade da série é questionada. Não há fatos que possam ser subentendidos pelas crianças com mais idade, todas as desventuras são explicadas claramente e algumas delas são realmente densas para um público infantil. Mortes não faltam, algumas são ’sangrentas’ e narradas em detalhes. Até mesmo as dedicatórias são morbidas, a do sexto livro é “Para Beatrice - Quando nos conhecemos, minha vida começou. Logo depois, a sua terminou”. Beatrice, assim como o autor, é mais um dos personagens da trama, e assunto recorrente das dedicatórias.

Essa trama, passada num abiente steampunk, tem várias referencias que provalmente o publico infantil deixaria passar desapercebido, como J.D. Salinger, Edgard Alan Poe, Monty Phyton e Shakespeare. E combina muito bem com a banda Wonkavision, que assim como o livro, tem melodias alegres com letras depressivas.

O último livro da série, intitulado O Fim, foi lançado ano passado e os 3 primeiros livros virarm um filme, que embora remeta aos filmes de Tim Burton, foi dirigido por Brad Silberling numa sinistra mas bela direção de arte.

Compre o livro ou o DVD

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