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22/22/08 O Atari está de volta!

Não estou falando daquele vídeo-game super velho que pode ser emulado em qualquer PC. Estou falando de um Atari único. O Atari Club, que reabre este fim de semana em novo endereço depois de quase 2 anos de hiato (“agradecimentos” à prefeitura paulsitana). Se você tinha uns 18 anos em 2006, ano em que a casa fechou, provavelmente sabe a relevância de uma notícia destas. Se você não está entendendo nada, vou tentar explicar, mesmo sabendo que não é fácil.

Apesar de ser reaberto no Ipiranga, o Atari ficava entre os Jardins e a Consolação, na Alameda Lorena. Como a maioria das casas da região, atraia um público ‘estranho’, hoje rotulado de ‘modernos’ embora na época ninguém soubesse como chamar aquela molecada com pinta de roqueiros mas de roupas pretas e coloridas, franjões na cara e muito mas muito delineador. Alguns arriscam dizer que foi a primeira balada emo da cidade, algo para se fazer tarde da noite, já que no Hangar 110 os melados shows acabavam cedo.

Como chegar lá? Saia do metrô consolação, pare no Pão de Açucar da Al. Santos, beba algo alcoolico por 1h, encontre os amigos e vá reto, siga o barulho e as pessoas.

Ao entrar no sobrado onde o Atari ficava, era-se recebido com música que vairava de acordo com o dia. Nas quintas-feiras da festa orgástica o som era mais animado e extrovertido. Nos tradicionais sábados, muitas coisas que na época eram novidades aqui como Jimmy Eat World, Strokes e Stripes davam o tom da bem frequentada pista. Mas nem só de pista e bar era feito o Atari. O banheiro misto e a Dark Room, que por um tempo teve máquinas de fliperama, eram tão animados quanto o dance floor.

Essa animação, claro, envolvia muita saliva. Um pequeno exemplo semi-real disso são as cenas do livro Fugalaça que se passam num tal de Pac-Man (oi? referência obvia). Mas pequeno mesmo; no Atari alguns conceitos que são padrões vigentes aqui fora, como monogamia e heterosexualismo eram só mais uma opção lá dentro. O vale tudo lá era na música, na roupa e nas paixões; e tendo um público adolescente, pode-se imaginar a intensidade das paixões e grandes amores que começaram e acabaram alí. Se sua imaginação é fraca, a comunidade da casa no orkut ajuda.

Taí a receita de sucesso: era um lugar que fazia algumas pessoas se sentirem melhores, menos estranhas e mais felizes. Não todos, por isso é um típico caso de ‘amo ou odeio’ (tal qual A Lôca, dizem); e o tanto de amo é tanto que eu no auge dos meus vinte-poucos-anos imagino que se essa volta não for um fracasso, daqui uma decáda iremos falar do Atari como ouvi tanta gente de trinta-e-poucos falando com carinho e saudosismo da Toco ou da Overnight.

Bom, é isso ai que está voltado: farra, música, tequilas e até a adolescência, parece. Preparem os All Stars, já que a casa volta com as festas Orgástica, Circuito Boobbaloo e a matinê Converse Party e bora para a festa.

Atari Club
Reabertura: 23/02/2008
Rua Vergueiro, 6386 (perto da estação de metrô Alto do Ipiranga)

Categorias Baladas e Shows, Comportamento, Música, São Paulo     comentarios (3) Comentários