Uma boa parte da minha vida achei Scott Adams um gênio. Para quem não sabe, ele é o cérebro por trás da série de quadrinhos Dilbert, que tem como tema as bizarrices que acontecem nas grandes empresas. Eu achava o humor das tirinhas uma hiperbole de coisinhas irritantes que aconteciam no dia a dia. Nessa época, a maior empresa que tinha me empregado era uma agência de publicidade com uns 40 funcionários.
Era um emprego legal mas deu o que tinha que dar e a próxima empresa bacana ao ponto de me empregar me jogou num escritório grande, com centenas de pessoas, dezenas de departamentos, cada um com seus pajés e caciques. E ai a magia acabou.
À cada situação nova, que não havia espaço para experimentar numa empresa pequena, eu vejo uma tirinha do Dilbert. Toda a suposta genialidade do Scott Adams é resultado da observação da ignorância alheia. A admiração não acabou, já que foi uma bela sacada empacotar tudo isso mas tem sido complicado aguentar. É um infeliz combo de emputecimento causado por viver uma situação esdruxula, do tipo da qual milhões de pessoas riem diariamente ao redor do mundo, somado com a a frustração da queda de um mito.
Mas para variar, eu sei que vou sobreviver à isso e continuo lendo o Dilbert, embora com outros olhos. Entretanto, ainda tenho XKCD, Chopping Block e Diesel Sweeties para ler e admirar. E agora tenho um monte de figurinhas para trocar com o mr. Adams, será que ele topa um Starbucks algum dia desses (depois do expediente, claro)?
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